CARTAS A D
Eu sei que isso não se faz, mas vou fazer. Acabo de ler "Cartas a D", de André Gorz. Lançado pela Cosac Naify, começa assim:
"Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado."
Estas declarações intensas, simples e sinceras, já seriam suficientes para prender qualquer leitor. Mas elas vão além do ficcional: dão voz as lembranças de 54 anos de relacionamento do escritor austríaco.
O livro fininho, aparentemente discreto, contém o peso de um amor que presenciou a deterioração física de outro. Forte? Da 1ª a última página.

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