Monday, July 28, 2008

Em tempos virtuais, a entrega é mais que real.




Eu queria escrever sobre as seduções baratas da noite carioca. Ressaltar as conversas desinteressantes em três minutos de diálogo. Ou então, achincalhar as mentiras sinceras.

Mas em tempos modernos, os novos encontros são cada vez mais virtuais. O verbo cede espaço para a escrita, e os papos, aparentemente ficcionais, reverberam a verdade. Aquela oculta, profunda, que só desponta sob forma de invenção.

Quem torce o nariz para os encontros nos sítios globais esquece que nos perdemos pela visão. O olhar não é garantia, é porta de saída. Vivemos uma fase em que a entrega sincera acontece através do desenho das letras.

Nada mais primitivo e revelador: o outro assume a postura de signo que precisa ser lido. E brincando de imaginar, aprendemos a sentir.

O tempo gira de outra maneira. A respiração segue a cadência do tilintar dos teclados. O coração vive a espreita de um alerta sonoro, até que as borboletas fujam do estômago, ganhem a boca e embaralhem as linhas a um palmo do nariz.

“ Situação babaca”, garantem os malandros. Eles são os primeiros a se enamorarem pelas curvas do nome da colega da mesa ao lado. Na vida real, carregam o troféu da entrega através do silêncio mais fantasioso que o flerte virtual.














1 Comments:

At 7:45 PM, Anonymous Anonymous said...

Os tempos modernos - versao WEB 1.0 - aproximam as pessoas. Nunca tantos se aproximaram de tão poucos com tanta velocidade. Nunca experimentamos tantas relações superficiais como agora. Um excesso de nada toma conta de nós. Mudando hábitos e relacionamentos. Mas as dores e desilusões das paixões continuam profundas como sempre.Mudam os meios, os acessos e os prazos mas a essencia do amor é a mesma.

 

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